É... a vida não é mais uma casinha com jardim, um cachorro,
regadorzinho, hora pra dormir, pra acordar, roupa pra lavar, pra passar,
pra guardar, louça pra lavar, crianças pra cuidar, marido pra jantar
junto a noite e compartilhar análises e conclusões do dia que se passou.
A vida não se resume mais a uma simples rotina. A cada esquina, uma
nova experiência, uma mais surpreendente e mais tentadora que a outra.
Ao mesmo tempo, por mais falta que sintamos da companhia de alguém que nos dê a mão e siga conosco lado a lado - pois essas pessoas simplesmente não existem mais - convivemos com a desconfiança, a incerteza, a insegurança. E ninguém quer mais dar a mão pra alguém e ter o braço decepado ou as costas furadas.
Um olho no peixe e outro, no gato. É assim que as pessoas vivem hoje. Sem dividir, sem oferecer, sem doar a não ser que tenham certeza de que terão retorno igual. Pra quê dar de si se, no dia seguinte, alguém pode acordar sem um olho, sem uma orelha, uma perna, um pulmão, um estômago, um coração?
E a concha se fecha, as pessoas não amam mais, não consideram mais, não abrem mais mão em função de alguém que lhes segura a mão hoje e que, até então, lado a lado, caminhavam com a gente. E a tarefa mais difícil é aprender a esquecer quem aprendemos a amar. Ninguém vai arriscar nenhum segundo de sua própria vida pra amanhã, puxarem-lhe o tapete.
O
amor faz parte do passado, dos contos de fada, das histórias que nossos
avós liam nos livros. O mundo mudou: não se ama mais. Temos muito que
fazer pra pensar nisso. E quando ficarmos velhos, nossos livros
preferidos serão sobre a história da Internet, dos blogs, das redes
sociais, onde dividíamos tudo que desejávamos com um teclado e um
monitor, os quais eram nossos verdadeiros amores.

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