29 de mar. de 2012

Surpresa

Quando se imagina que tudo está perdido,
quem a gente mais queria que chegasse, bate à nossa porta.

A vida retorna.

28 de mar. de 2012


Minha energia alimenta teu poder
Minha luxúria banha teu espírito
Meu desejo alimenta o teu desejo

Escorpiana
Feminina, Maléfica, Violenta, Fecunda, Fixa, Negativa. A morte, o germe da vida em potência, os mistérios da vida, a destruição, a reconstrução, a força e a agressividade contidas.

27 de mar. de 2012

On Air

Palavras são interpretadas de acordo com a avaliação de cada um. Fluem soltas e podem acompanhar conclusões perigosas e distantes da verdadeira intenção. Podem passar que somos injustos, indiferentes ou, simplesmente, o que as pessoas forem capazes de entender. Por mais que tenhamos cuidado em transmití-las, nunca substituem o olho no olho.

E na maioria das vezes, ao invés de ajudar, elas nos afogam.

24 de mar. de 2012

Battaglia Individuale

Meu caminho nunca foi fácil. Eu sabia que a vida era dura, mas não tanto. Quando descobri que, pra viver, eu teria que ser mais forte do que todas as personagens guerreiras que eu via nos filmes medievais, me dei conta de que, pra permanecer viva, seria preciso não só força, não só inteligência, não só capacidade, mas coragem. Uma pessoa sem coragem não passa nem na primeira etapa. Pra tudo, é preciso estar preparado, com escudo de aço e espada bem afiada.

Não há muita diferença entre os filmes medievais e a vida real. Os inimigos são basicamente, os mesmos. Um exército ou um inimigo pessoal, todos vão necessitar de toda nossa força pessoal, nosso espírito de batalha, nossa insensibilidade para com outrém - cabendo, aí, um toque de crueldade que, se não existir, nos derruba e nos deixa vulneráveis a um esquartejamento sem precedentes. Lutar com a vida é uma atividade das mais difíceis, mas lutar com um inimigo requer estratégia pois, nele, encontrarei das mais perversas e sanguinárias intenções.

Pensar como o inimigo é inteligente. Prevêr seus desígnios é mérito de quem conhece a mente humana e suas maldades.

23 de mar. de 2012

Meu Sombrio Amor Satânico


"Minhas celulas reagem aos seus estímulos, e estar junto dele me traz uma intensa sensação de felicidade, satisfação e bem-estar. A forma do seu rosto é a mais linda do mundo para mim. Ele é meu mentor, meu mestre, meu melhor amigo; eu dou para ele minha total confiança, e ele aceita isso como somente um real homem poderia. Suas esperanças, sonhos, metas são meus, seus desapontamentos são meus também, e assim eu odeio tudo que o atormenta ou se põe em seu caminho. Esse ódio também é negro e puro, como pólvora; ele pode queimar brilhantemente e febrilmente tal qual o meu amor."

(Magistra Peggy Nadramia)

22 de mar. de 2012

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Apenas siga seu caminho de acordo com o que a vida te dá
Quem anda olhando pro lado acaba tropeçando

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21 de mar. de 2012

Prisão Livre

Minha vida teve um fim. Eu desisti dela, como desisti de mim mesma. Eu a sufoquei. Ela gritava, chorava, me arranhava, tentava sobreviver a todo custo, mas eu a matei. Afinal, eu já a havia perdido... e só não quis aceitar isso. Todos os dias, lágrimas rolavam. Meu ânimo, minhas expectativas, meus planos... todos tiveram que ser sacrificados. Eu já não sorrio mais, não olho mais na cara das pessoas, o mundo ficou cinza.

Agora, ela não existe mais. Uma vida igual a mim mesma, com mesmos conceitos, mesma forma de pensar, de agir. Uma vida inteligente, com a qual eu conseguia trocar minhas idéias como jamais consegui trocar com nenhuma vida no mundo. Uma vida que descobriu em mim coisas que eu nem sabia que estavam aqui dentro. Tudo era perfeito - simplesmente, tudo. Tanto pra mim, quanto pra ela, tudo foi como um filme - isso pode parecer forte demais ou sem valor algum pra quem lê e muitos vão dizer que eu estou exagerando, vendo tudo como um jardim de flores. Somente eu e ela sabemos, de fato, o que sentimos uma pela outra. E se o destino conseguiu desviar meu caminho e me tirar o que de mais precioso eu tinha, eu não tive outra escolha, senão matá-la.

Mas eu não estou no mundo pra provar nada pra ninguém. Já passei por muita coisa pra saber que o que aconteceu entre ela e eu, nunca mais vai acontecer pra mim. Eu não procuro e nem vou procurar nada pra substituí-la - até porque, não existe outra vida que seja capaz disso. Não existe nada igual a ela. E não darei esta honra a vida nenhuma, de lugar nenhum, sob condição alguma. Ela foi a última vida e será a última até o fim. Fechei a firma.

Não me importo em ficar sozinha pelo resto do tempo que me restar. Vou guardar na lembrança tudo que passamos, os momentos que vivi, as coisas que aprendi. O primeiro encontro, o primeiro beijo, as nossas noitadas, as nossas conversar, nossas semelhanças. Eu até sugeri que a gente não deixasse a chama ser apagada, que nos encontrássemos com certa frequência, pois nunca me passou pela cabeça deixá-la pra trás. Pérolas que encontramos, devemos guardar conosco, pois elas só nos sorteiam uma vez em toda existência.

Mas ela não quis. Pra ela, "tudo mudou" e não seria como antes. Então, ela preferiu destruir a planta que havia nascido alí pra arrumar a terra e semear uma nova. A distância entre nós foi um impecílio pra ela, impossível de ser contornado. Eu tentei. Mas ela não quis.

Tudo que eu mais queria era que minha vida ressuscitasse e dissesse: "Volta pra mim. Eu amo você."

Mas acho que nunca vou escutar isso.

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19 de mar. de 2012

Seco

É... a vida não é mais uma casinha com jardim, um cachorro, regadorzinho, hora pra dormir, pra acordar, roupa pra lavar, pra passar, pra guardar, louça pra lavar, crianças pra cuidar, marido pra jantar junto a noite e compartilhar análises e conclusões do dia que se passou. A vida não se resume mais a uma simples rotina. A cada esquina, uma nova experiência, uma mais surpreendente e mais tentadora que a outra.

Assim como hoje, existem muitos caminhos pra resolver problemas, existem também muitas vertentes deles. E as vertentes ultrapassam avassaladoramente, as possíveis soluções. Hoje, somos escravos do abandono, da solidão, do único, do individual. Ninguém quer mais dividir nada, pois o que temos pra nós mesmos é sempre aquém do que precisamos.

Ao mesmo tempo, por mais falta que sintamos da companhia de alguém que nos dê a mão e siga conosco lado a lado - pois essas pessoas simplesmente não existem mais - convivemos com a desconfiança, a incerteza, a insegurança. E ninguém quer mais dar a mão pra alguém e ter o braço decepado ou as costas furadas.

Um olho no peixe e outro, no gato. É assim que as pessoas vivem hoje. Sem dividir, sem oferecer, sem doar a não ser que tenham certeza de que terão retorno igual. Pra quê dar de si se, no dia seguinte, alguém pode acordar sem um olho, sem uma orelha, uma perna, um pulmão, um estômago, um coração?

E a concha se fecha, as pessoas não amam mais, não consideram mais, não abrem mais mão em função de alguém que lhes segura a mão hoje e que, até então, lado a lado, caminhavam com a gente. E a tarefa mais difícil é aprender a esquecer quem aprendemos a amar. Ninguém vai arriscar nenhum segundo de sua própria vida pra amanhã, puxarem-lhe o tapete.

O amor faz parte do passado, dos contos de fada, das histórias que nossos avós liam nos livros. O mundo mudou: não se ama mais. Temos muito que fazer pra pensar nisso. E quando ficarmos velhos, nossos livros preferidos serão sobre a história da Internet, dos blogs, das redes sociais, onde dividíamos tudo que desejávamos com um teclado e um monitor, os quais eram nossos verdadeiros amores.

Falo por mim

Há quantos anos não te vejo... parece que foi ontem. Tudo passou rápido demais e o futuro, eu não sei. Nem sempre se faz o que se quer. Ele não sabe o que fazer. E eu não estou muito interessada no sentido que as coisas têm. Falo por mim, não falo por ninguém. Não faça o que eu digo, não faça o que eu faço. Esse é o direito à diferença, o direito à independencia.

Agora não, quero um tempo pra respirar, já tem poluição demais como defeito de fabricação. O nosso medo é natural, mas nada é pra sempre e vamos assim sobrevivendo, aceitando o que é fundamental. No geral, o fim é igual. Quando acaba, começa um ano novo. Ok, você quis assim. Pegue as suas coisas e não esqueça de apagar a luz.

18 de mar. de 2012

Coincidência

Espero te ver de novo outro dia, quem sabe. Tenho medo de saber que isso pode não acontecer. Pode parecer coincidência o que você pensa de mim porque eu sei que, às vezes, a verdade não tem graça. Por um minuto mudei minha maneira de pensar. Fechei os olhos e vi o que eu ja sabia e não queria acreditar.

O que eu tenho não é meu - eu não tenho nada além de mim. Você pensa que é dono das coisas? Tantas vezes acordei sem lembrar do que sonhei. Se me escapa a certeza, onde eu vou me segurar? Conto os dias e por onde o tempo passa, não passa devagar. Há muito tempo, eu quis saber a verdade. Não escondo de ninguém e disso, eu não abro mão. Não é fácil entender. Quanto mais, admitir. Se eu cruzar o seu olhar, eu sei que eu vou saber o que faltava.

O Amor Proibido entre Guinevere e Lancelot

De um lado, a grande rainha e mulher de Arthur, o mais justo dos reis e, do outro lado, o grande herói, o melhor cavaleiro, o chefe da cavalaria real: Sir Lancelot.

Esse amor nasceu de uma visita de Lancelot ao reino do pai de Guinevere para cogitar se a herdeira daquele reino era digna de se sentar ao lado do grande rei da Bretanha, Arthur. Os dois se olharam e trocaram sorrisos e a partir daí, nasceu o amor tão comentado e polêmico que decreta a ruína de Camelot.

Depois de muitos anos, Lancelot se casa e some de vez do reino de Arthur. Mas com o retorno do grande cavaleiro à Camelot, Guinevere e Lancelot voltam a se encontrar e, guiados por Mordred, os Cavaleiros da Távola Redonda armam uma emboscada a fim de desmascarar toda essa traição ao seu grande Rei. Lancelot é descoberto e, numa luta contra os cavaleiros, ele acaba fugindo. Mas antes, mata Gareth, o filho de Morgause e o maior fã de Lancelot, que o tinha como um filho. Arthur descobre, manda Guinevere para um convento e decreta a expulsão de Lancelot de seu reino.

Existe uma outra versão que diz que Arthur condenou Guinevere à fogueira e Lancelot veio em seu auxílio e a livrou da morte, lutando com muitos soldados do Rei e decretando guerra a Arthur.

Por fim, Guinevere acaba voltando para Camelot depois de um pedido de perdão de Lancelot e a sua promessa de nunca mais voltar ao reino de Arthur enquanto os dois viverem.

Mai più ora

Pessoas estão mais livres, mais independentes, mais inteligentes, têm mais acesso à informação, à cultura, ao conhecimento. Pessoas hoje são mais únicas do que nunca foram.

Pessoas estão mais individualistas, mais inseguras, mais medíocres, mais interesseiras; têm menos carinho, menos consideração, menos oportunidades, menos dinheiro.

Pessoas não são mais pessoas.

17 de mar. de 2012

"Torna-te aquilo que és"



Perspectiva Vital

Quando eu era criança, pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade. Mas sempre havia um buraco no caminho - algo a ser ultrapassado antes de começar a viver. Um curso que não terminei, um aparelho de dente que eu precisava colocar, os quilos que eu precisava perder, os quilos que, depois, eu precisei ganhar, um casamento que não deu certo, um carro que eu não comprei, um filho que eu não tive... aí sim, a vida de verdade começaria. Por fim, cheguei à conclusão de que esses "buracos" eram a minha vida, de fato. Isso me fez ver que não existe um caminho para a felicidade. Felicidade é uma viagem e não, um destino. E o tempo... esse não espera por ninguém.



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Releitura de texto
Autor original: Henfil

Mudança

A brisa chegou suave, como um alerta. Árvores começaram a balançar, como que o sopro de um arcanjo. E o vento veio forte, trazendo o cheiro da chuva. O céu escureceu, os pássaros se recolheram, os cães correram para suas casas e os gatos entraram no forro. A tempestade chegava devagar e trazia o agouro do novo ciclo. Muita água advinha de todos os lados e não se podia mais definir se vinha do céu ou da terra.

Levou tudo com ela. E minha vida foi embora.